O enorme e sentido aplauso, durante o Jantar de Gala, os emocionados abraços, na despedida, foram as provas mais evidentes da satisfação de todos os 205 motociclistas que visitaram o nosso País, entre 8 e 11 de Setembro. Na 3.ª edição do FIM Mototour of Nations, tudo foi delineado para mostrar a variedade e imponência das paisagens lusitanas, de forma serena, em perfeito convívio entre os motociclistas e a natureza.

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O percurso começou em terras flavienses, cidade que acolheu viajantes de 17 países, sobretudo europeus e americanos, com o jantar de recepção no elegante e moderno Hotel Casino de Chaves a proporcionar os primeiros momentos de grande animação. Antevisão do que viria a ser este Mototour, comunhão perfeita entre mototuristas e organizadores, bem patente no coro internacional que acompanhou os One Vision, banda portuguesa de tributo aos Queen cujo espectáculo teve o condão de pôr toda a plateia a dançar.

Ponto de partida para ambiente ímpar nos dias seguintes, com arranque de Chaves de caravana de 147 motos divididas por quatro grupos, melhor forma de a todos dar a máxima atenção, evitando confusões na estrada como nas diversas paragens previstas. A começar pela bem conservada pitoresca aldeia transmontana de Vilarinho Seco, logo após a passagem por Boticas, no sopé da Serra do Barroso, onde a dureza do granito das construções tradicionais e dos espigueiros contrastou com a gentileza das gentes barrosãs. Oferecedoras do melhor que a terra dá, com petiscos tradicionais n’Adega O Palheiro, geradores dos mais rasgados elogios. Primeira paragem a meio da travessia entre terras de Barroso e de Basto, passando pelas pastagens que satisfazem as vacas barrosãs e algumas bem conservadas zonas florestais. Paisagens que levaram a caravana até Cabeceiras de Basto, com visita aos claustros e igreja do mosteiro beneditino de S. Miguel de Refojos, o único dos 29 existentes em Portugal que possui um zimbório e cuja construção remonta ao século XII. Monumento cuja história foi esclarecida ao pormenor para os mais curiosos durante o agradável petisco na Casa do Tempo, local de preservação do património cabeceirense.

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Mas o tempo era de passear, pelo que seguiram os motociclistas até Guimarães, surpreendendo os muitos turistas que passeavam pelo belíssimo centro histórico e até os convidados de um casamenteo, partilhando espaço e cumprimentos com os motociclistas franceses, belgas, suiços, britânicos, dinamarqueses, croatas, irlandeses, holandeses, canadianos, norte-americanos, checos, gregos, italianos e espanhóis mas também portugueses. Que, depois da passeata e muitas fotos, subiram ao Monte da Penha, a grande área verde da cidade de Guimarães, integrando a Reserva Ecológica Nacional, e onde se situa o Santuário da Penas, no seu o ponto mais alto. Tempo para respirar o ar mais puro, aproveitando a área de piqueniques para aconchegar o estômago antes da viagem, curta e rápida, até ao Porto.

De curiosidade aguçada para a animação noturna do Porto, os experimentados viajantes não desperdiçaram oportunidade para descobrir alguns dos locais emblemáticos da Cidade Invicta, mas sem exageros. É que o passeio do dia seguinte, junto ao litoral atlântico, era oportunidade imperdível para apreciar a extrema variedade paisagística depois das serranias da véspera. Dia que começou com saída do Porto rumo a norte, seguindo boa parte do Caminho de Santigo com passagem pela Igreja Românica de São Pedro de Rates, ponto de passagem entre a planície poveira e o onduloso território do Baixo Minho, marcado pelos vales dos rios Este e Ave. Outro rio, o Cávado, pode ser apreciado bem de perto na passagem por Fão, antes da travessia para a Quinta da Barca rumo à espetacular Quinta de Curvos. Com mais de quatro séculos de recheada história e uma área de 16 hectares completamente murados, a Quinta de Curvos, que terá incluído uma capelinha, construída por volta de 1600, em honra de S. Roque, patrono e defensor das pestes e das fomes,  ganhou nova alma com a aquisição, em Dezembro de 1916 por parte de António Rodrigues Alves de Faria, com fortuna feita no Brasil.

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Momento histórico acompanhado pela prova de vinhos verdes produzidos pela Quinta de Curvos e adocicado pela tradicionais Clarinhas de Fão, antes de seguir caminho até Esposende, com vistas únicas das praias minhotas e paragem na marginal esposendense para desfrutar do excelente clima que acompanhou todo o evento. Tardou, pois, o regresso ao Porto tal era o bem-estar generalizado dos participantes, com idades entre os 40 anos do condutor mais jovem, o italiano Claudio Dogliani, e os 83 do experiente francês André Charbonnier. Ainda assim, a tempo do Jantar de Gala, oferecido em espaço único da cidade do Porto, no Salão Nobre do Edifício da Alfandega, com vista privilegiada sobre o Rio Douro, em memorável sunset. Momento de enorme convívio que teve a entrega de prémios como ponto alto, com vitória da federação francesa (FFM) na classificação por pontos (número de participantes vezes o número de quilómetros efetuados) bem como de participantes inscritos, enquanto os croatas do BMW MK Zagreb arrecadaram o troféu para o motoclube com mais pontos.

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Ambiente de festa que se prolongou no dia seguinte, o último de iniciativa de grande peso na divulgação turística de Portugal entre a comunidade mototurísticaa internacional, levando a caravana a desfrutar da incomparável paisagem duriense. Pelas mais bonitas estradas do vale do Douro seguiu-se até à Quinta do Seixo, onde a Sandeman produz alguns dos mais requintados Vinhos do Porto, que os participantes apreciaram de forma extasiada depois de enriquecedora visita às instalações, sempre acompanhada de interessantes apontamentos históricos. E, marcando o final de programa delineado ao pormenor para ir de encontro aos desejos das centenas de mototuristas que visitaram o nosso País, o almoço no Parque de Sabroso, em Tabuaço, foi o culminar de oportunidade única de descobrir paisagens deslumbrantes, apreciar sabores ímpares, desfrutar de uma história riquissíma e conhecer gentes verdadeiramente únicas, levando imagem forte de Portugal.

Texto e fotos: MC Porto

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